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Metas e números8 min de leitura

Quanto vale um cliente para você e quanto pagar por contato

Ticket, margem e taxa de fechamento. Com esses três números você descobre o máximo que faz sentido pagar por contato de anúncio, com a conta feita passo a passo e uma tabela de três cenários.


Chega o fim do mês, você soma quanto gastou em anúncio, divide pelo número de pessoas que chamaram no WhatsApp e solta a frase: tá caro. Caro comparado com o quê? Quase sempre a resposta não é um número, é uma sensação. E dá para resolver isso em uma tarde, com informação que já está na sua mão.

Não precisa de planilha de consultor. Caderno, extrato do cartão e as suas próprias conversas bastam. A pesquisa Hábitos Financeiros 2025, do Sebrae, mostra que cerca de 1 em cada 4 donos de pequeno negócio ainda controla as contas no caderno e que 10% não fazem controle algum. Ou seja: você não está atrasado. Só precisa de três números.

Os três números que decidem tudo

Ticket médio, margem e taxa de fechamento por contato. Essa última é de contato para cliente, não de proposta para cliente. Com esses três você calcula o teto do seu custo por contato. Sem eles, qualquer conversa sobre custo de anúncio é chute. E nenhum deles precisa sair perfeito na primeira tentativa: estimativa honesta vale mais do que número exato que você nunca vai levantar.

Ticket médio

Ticket médio é quanto entra, em média, em cada venda. Pegue o faturamento do mês passado e divida pela quantidade de vendas daquele mês. Se entraram 45 mil reais em 50 vendas, o ticket médio é 900 reais. Está no extrato, no relatório da maquininha ou no caderno de vendas.

Cuidado com a confusão mais comum. Faturamento é o que entra na conta. O que sobra é outra coisa, e vem depois de pagar para entregar aquela venda.

Margem

Margem, em linguagem de dono: de tudo que entra numa venda, quanto sobra depois de pagar o custo de fazer o serviço, o imposto, a comissão de quem vendeu e a taxa do cartão. Não entra nessa conta o que você pagaria de qualquer jeito, com ou sem aquele cliente, como aluguel e salário fixo.

Como levantar sem sofrer:

  1. Escolha uma venda típica, do tamanho do seu ticket médio.
  2. Anote tudo que você teve que pagar só por causa dela.
  3. Subtraia do valor da venda. O que resta é a margem em reais.
  4. Divida pelo valor da venda e você tem a margem em porcentagem.

Taxa de fechamento

A mais simples e a mais ignorada. De cada 10 pessoas que chamam, quantas viram cliente? Abra as conversas do mês passado, conte as 30 últimas, veja quantas fecharam. Se foram 6 em 30, a sua taxa é 20%. Se você já usa um CRM, esse número vem pronto no relatório, e esse é um dos bons motivos para ter um lugar com a ficha de cada contato.

Se você nunca contou, prepare-se para se surpreender para baixo. É normal. É também o número mais valioso dos três, porque é o que mais depende de você e menos depende do mercado.

O cliente que volta muda a conta

Muita gente calcula só a primeira compra e se engana feio. Clínica, estúdio, delivery, salão, serviço recorrente: o dinheiro está na repetição. Se você só olha a primeira venda, o teto que encontra é menor do que o teto real, e aí anúncio nenhum parece viável.

O nome técnico disso é LTV, que quer dizer simplesmente o quanto um cliente deixa no seu caixa ao longo do tempo. Para estimar sem complicação, responda duas perguntas sobre o cliente médio, não sobre o seu melhor cliente: em 12 meses, quantas vezes ele compra? E quanto gasta em cada compra?

Seja conservador de propósito. Use 12 meses, não três anos. Use o cliente do meio, não o campeão. Se você acha que o cliente médio compra entre duas e três vezes no ano, escreva duas. A conta precisa sobreviver ao pessimismo, porque é com ela que você vai decidir onde colocar dinheiro de verdade.

A conta, passo a passo

Vamos supor uma clínica de estética. Os valores abaixo são exemplo, só para a conta ficar visível:

  1. Ticket médio: 900 reais por pacote de sessões.
  2. Margem: de cada 900 reais que entram, 450 vão para produto, profissional, imposto e taxa. Sobram 450. Margem de 50%.
  3. Cliente que volta: o cliente médio compra 2 pacotes em 12 meses. Então ele deixa 900 reais de margem no ano, não 450.
  4. Taxa de fechamento: de cada 10 pessoas que chamam, 2 fecham. São 20%.
  5. Contatos por cliente: com 20%, você precisa de 5 contatos para fazer 1 cliente.
  6. Teto do custo por contato: os 900 reais de margem divididos pelos 5 contatos dão 180 reais.

180 reais é o máximo que faz sentido pagar por contato. Máximo, não alvo. Se você pagar exatamente 180, cada cliente custa 900 reais e consome toda a margem que ele deixa no ano. Você trabalha doze meses para empatar.

Por isso o alvo fica bem abaixo. Uma regra de bolso que funciona: gaste no máximo um terço da margem do cliente para conquistá-lo. Um terço de 900 é 300. Dividido pelos 5 contatos, dá 60 reais por contato. Nesse ritmo cada cliente custa 300 reais e deixa 600 livres para pagar aluguel, equipe e o seu lucro.

A mesma clínica, três atendimentos diferentes

Agora veja o que acontece quando tudo fica igual e só a taxa de fechamento muda. Mesmo ticket, mesma margem, mesmo cliente comprando dois pacotes no ano, o que dá 900 reais de margem por cliente em 12 meses.

De cada 10 contatos, fechamContatos por clienteTeto por contatoAlvo prudente (um terço)
1 (10%)10R$ 90R$ 30
2 (20%)5R$ 180R$ 60
3 (30%)3,3R$ 270R$ 90

O 3,3 da última linha é arredondamento, e a conta fecha do mesmo jeito: 10 contatos viram 3 clientes, que deixam 2.700 reais de margem no ano. Divididos pelos 10 contatos, dão 270 por contato.

Triplicar a taxa de fechamento triplicou o teto. Ou seja: melhorar o atendimento mexe no mesmo lugar que baixar o custo do anúncio, e costuma ser mais rápido e mais barato de fazer. A diferença entre fechar 1 e fechar 3 de cada 10 raramente é sorte. É quem responde, em quanto tempo, com qual roteiro e quantas vezes você volta a falar com quem ficou calado.

Contato barato que sai caro, contato caro que sai barato

Com a conta na mão, a palavra caro muda de sentido. Contato a 15 reais que fecha 1 em cada 50 custa 750 reais por cliente. Contato a 120 reais que fecha 1 em cada 4 custa 480 reais por cliente. O barato saiu mais caro, e por uma diferença enorme.

É aqui que a diferença de canal aparece: cada canal traz contato com outra intenção e outra taxa de fechamento. O número que decide não é o custo por contato isolado, é o custo por cliente. Compare canal com canal por esse número e a discussão acaba rápido.

E quando a conta não fecha?

Acontece, e vale dizer com clareza: às vezes o teto é tão baixo que anunciar naquele formato não é para agora. Três saídas honestas, na ordem em que costumam funcionar:

  1. Aumentar o que cada cliente deixa. Vender pacote em vez de sessão solta, criar plano mensal, oferecer o segundo serviço para quem já é cliente. Subir a margem do cliente de 900 para 1.800 reais dobra o teto, de 180 para 360 reais por contato, sem mexer em uma vírgula do anúncio.
  2. Melhorar a taxa de fechamento. Responder rápido muda o resultado mais do que qualquer ajuste de campanha. Depois vem o resto do processo de vendas: qualificar, ter etapas com critério de avanço, ter roteiro, registrar motivo de perda.
  3. Mudar oferta e canal. Oferta de entrada mais fácil de aceitar, outro público, outro canal. Se o cliente que você consegue atrair não aguenta o custo de atraí-lo, o problema está na oferta, não na campanha.

Se nenhuma das três se mexer, pare de insistir e volte para a conta em alguns meses. Anunciar para perder dinheiro com disciplina não é estratégia. Na Argeu essa conta é a primeira coisa que a gente faz com um negócio novo, antes de subir campanha, justamente para ninguém começar no escuro.

De quanto em quanto tempo refazer

Refaça a conta inteira, com ticket, margem e cliente que volta, uma vez a cada três meses. Todo mês, em cinco minutos, compare o seu custo por contato real, que é o quanto você gastou em anúncio dividido pelo número de contatos, com o seu alvo e com o seu teto.

O passo seguinte é virar essa conta em meta de contato por semana e verba por dia, para saber quanto investir e o que cobrar de atividade da equipe.

Três meses dessa rotina e você para de discutir anúncio por sensação. Quando alguém disser que está caro, você tem um número para responder e sabe exatamente qual ponta mexer: a oferta, o atendimento ou a campanha.

Quem carrega essa conta no bolso decide diferente. Aumenta o investimento sem medo quando o custo por contato está abaixo do alvo, segura a mão quando passa do teto, e vai mexer no atendimento quando percebe que o problema nunca foi o anúncio. Se você quiser fazer essa conta com os seus números, e não com os da clínica do exemplo, chame a Argeu para uma conversa.

Fontes

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